Quando escreveu 'Cars' em 1979, Gary Numan não estava pensando em carros ou robôs autônomos, mas Isaac Asimov, na década de 1950, certamente estava. Cresci com a ideia de que robôs pudessem estar em nossas vidas assim como o Robby, de Perdidos no Espaço, ou o R2-D2 (e mais recentemente o BB-8), de Star Wars. Assisti à transição dos robôs literários para a TV e telas de cinema. Eles se tornaram uma realidade em nosso dia a dia, tanto no trabalho como em casa. Mencionar máquinas autônomas e Inteligência Artificial ao mesmo tempo faz com que as pessoas pensem instantaneamente no Exterminador do Futuro. Ainda existe muito debate sobre se isso tudo vai destruir a humanidade ou, no mínimo, tirar nossos empregos.

No entanto, o mundo dos dispositivos autônomos pode variar de chatbots a carros autoguiados. A definição de autônomo é ter regras próprias e a liberdade de agir de forma independente ou ser um dispositivo capaz de operar sem controle humano direto. Vamos separar os bots online dos bots físicos?

Primeiro, os chatbots são semelhantes ao "Clippy“, aquele clipe de papel animado do pacote Office, lembram dele? Na época, no final dos anos 90, seu objetivo principal era ajudar o usuário a "escrever uma carta", ironicamente fazendo o contrário para a maioria das pessoas. Felizmente, as coisas mudaram e o chatbot moderno já existe. De certo modo, eles podem ampliar a experiência do usuário, com respostas rápidas a perguntas comuns, como "onde está o meu material?". E pode ajudar organizações a agilizarem os processos com automação ao garantir que os humanos tenham mais tempo para lidar com consultas complexas.

Pensando nos robôs físicos, as máquinas que automatizam tarefas repetitivas são comuns nos chãos de fábrica há décadas, mas recentemente uma revolução de robôs inteligentes foi vista em nossas ruas. Existe uma grande batalha, por exemplo, entre os drones e os bots para a realização de entregas em nossas casas. Startups, como Marble e Dispatch têm trabalhado com empresas de Varejo e de Alimentos em uma tentativa de automatizar o processo de frete. Até o Robocop tornou-se realidade graças a Knightscope. Embora esses bots possam economizar custos e trabalhar 24 horas por dia, eles são projetados para coexistir com os humanos. Nesse caso, os robôs entregariam as encomendas regionais, enquanto os humanos fariam entregas mais distantes. Na verdade, existem tantos robôs de entrega na área da Baía de São Francisco, nos EUA, que já há movimentos para banir todos de uma vez só.

Há, ainda, os veículos autônomos. O Gartner prevê que 250 milhões de veículos conectados estarão na estrada em todo o mundo em apenas dois anos, resultando em mais de US$ 900 bilhões até 2035. Um único carro hoje gera um exabyte de dados por ano, repleto de sensores capazes de medir quase tudo dentro e fora. Manter esses carros de forma eficiente irá bem além da checagem das lanternas, motor ou pisca-alerta.

Recentemente, um bombeiro me contou uma história fascinante, sobre como eles resgataram um motorista inconsciente porque seu carro percebeu o acidente e chamou automaticamente os serviços de emergência enviando a hora e a localização do caso. O próprio veículo havia saído da estrada no acidente, caindo em uma vala em uma localização remota. Sem o aviso, o incidente teria sido descoberto apenas algum tempo depois e sido relatado por meios normais. Há, inclusive, um caso em que um carro da Tesla levou o motorista para o hospital enquanto ele sofria uma embolia pulmonar.

Isso é apenas o começo. É interessante e perturbador pensar que os carros autônomos mudarão o transporte rodoviário e os modelos de seguro. Eles deverão, ainda, levantar uma série de questões relacionadas à propriedade dos veículos e tudo isso, provavelmente, exigirá novas leis, como no caso dos sidewalker bots, os robôs delivery regulamentados na Virgínia, nos EUA.

Gary Numan também perguntou, em uma de suas músicas, "Are Friends Electric?”, e eu acho que os bots são amigos mais do que inimigos. Todos os exemplos que abordamos geram dados, muitos dados, e todos podem ser usados ​​para melhor, seja economizando tempo, dinheiro ou mesmo vidas. Se os dados são o novo combustível, e entendê-los nos permite extrair valor para tomar decisões significativas, então é aqui onde o dinheiro deve estar. Bem-vindo à Economia Analítica!

 

Adam Mayer

Gerente Técnico de Marketing de Produto da Qlik