O caso do viaduto que cedeu na última quinta-feira, 15 de novembro, paralisou parte da Marginal Pinheiros causando um grande transtorno em São Paulo capital. No primeiro dia útil após o ocorrido, o trânsito ficou 25% acima da média só na parte da manhã, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). São inegáveis os impactos já causados, justamente porque o incidente mexe com o dia a dia da cidade mais populosa do País. Mas o que isso tem a ver com a Guarda de Documentos? Aparentemente nada, certo? Errado!

Nos dias que se seguiram após o acidente, nos deparamos com muitas notícias. Mas a mais intrigante delas para foi o fato do projeto do viaduto ter sumido.

Sim, o projeto sumiu. A obra de 1970 foi projetada em um convênio entre a antiga Fepasa (Ferrovia Paulista S.A.) e o município de São Paulo. Hoje, 48 anos depois, ninguém tem ideia de onde encontrar o documento. A alternativa foi consultar a viúva do engenheiro responsável pelo viaduto para obter algum registro ou informação relevante, mas, infelizmente, ela já tinha se desfeito do acervo do esposo. Segundo o secretário de Obras, Vitor Aly, o projeto original pode ter se perdido em um incêndio, comprovando o fato de que não foi armazenado corretamente em um lugar seguro.

Este caso serve para entendermos a importância dos documentos nas empresas e Governo. Se este projeto tivesse sido guardado adequadamente o cenário seria outro, podendo ter as obras aceleradas e a cidade devolvida à sua normalidade mais rapidamente. A realidade? Hoje, a falta de um único papel pode afetar uma cidade inteira!

É claro que será possível seguir o conserto do viaduto sem estes registros, porém de uma maneira muito mais difícil e morosa. E nesta demora, incluem-se também o tempo em que funcionários gastaram procurando pelos projetos oficiais da ponte, conversando com responsáveis envolvidos, entre outras consultas – que não devem ter sido poucas, tampouco rápidas.

Especialistas continuam procurando, entre outras informações, pelo memorial de cálculo, um dos estudos mais importantes de uma construção. Como não foram encontrados documentos na Secretaria Municipal de Obras, a opção será buscar em outros acervos como da CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços), depositária desses documentos, e do DER (Departamento de Estradas de Rodagem).

A procura continuará, portanto ainda será despendido mais tempo e dinheiro. E com a mobilização de pessoas para resolver um problema que não deveria existir perde-se também produtividade em atividades relevantes para a resolução do caso. Todo esse desperdício de recursos poderia ter sido evitado com uma simples armazenagem de documento segura.

 

Alan Ramos

Diretor de Vendas e Marketing da Myriad Brasil